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SEMANA SANTA.  IV. A entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém

Em seguida à cura do cego Bartimeu e à conversão de Zaqueu, em Jericó, Jesus “foi adiante, subindo para Jerusalém […]” (Lc 19.28). Viajava com os Doze e muitos outros, inclusive mulheres. Não foram direto para Jerusalém, até porque era fim de tarde de uma sexta-feira e o sábado judaico começaria daí a pouco. 

Jesus e seus companheiros de viagem resolveram descansar em  Betânia, a 3 km de Jerusalém. Jesus hospedou-se na casa das amigas Maria e Marta. Não sabemos se Lázaro, o irmão delas, morava na mesma casa e se esta era suficientemente grande para hospedar outros da caravana de Jesus. Estes, provavelmente, se hospedaram noutras casas em Betânia e na vizinha Betfagé, Essa outra aldeia ficava na encosta ocidental do Monte das Oliveiras, com vista para Jerusalém. Em tempos de Páscoa, os sacerdotes e os peregrinos que não conseguiam hospedagem em Jerusalém, acomodavam-se em Betfagé (Lc 19.28-29).

João relatou um jantar de boas-vindas oferecido a Jesus e aos seus discípulos, no sábado à noite. Foi na casa de um certo Simão. Foi nesse jantar que Maria ungiu os pés de Jesus com um perfume muito caro (Mc 14.3; João 12.1-3). Foi um gesto lindo que Jesus muito apreciou! Mas os discípulos, Judas principalmente, acharam aquilo um desperdício (Mc 14.5; Jo 12.4-6). Não perceberam o quanto Maria amava a Jesus e o considerava digno de sua homenagem, por mais cara que fosse. Ainda hoje há quem considere desperdício e censure uma oferta generosa dada por amor e gratidão, seja à igreja de Cristo, seja a um necessitado.

No dia seguinte, domingo, Jesus pediu a dois dos seus discípulos que fossem à aldeia mais próxima (Betfagé?) e trouxessem emprestado um jumentinho. Por estranho que pareça, foi montado nesse jumento que Jesus entrou em Jerusalém! Ele o fez intencionalmente, para cumprir uma velha profecia (Zc 9.9) e passar uma mensagem…

Ao contrário do que tinha feito nos anos anteriores, Jesus, nesse novo contexto, queria revelar-se publicamente e inequivocamente como o Messias prometido, não o Messias político e militar que os judeus esperavam, mas um Messias de paz, de salvação e transformação de vida. (Sem falar, aqui, da consumação do Reino no fim dos tempos). Foi por isso que ele montou um jumentinho, não um exuberante cavalo de guerra. 

De qualquer modo, foi uma entrada triunfal! A multidão que o acompanhou desde Betânia, e outros muitos que vieram da capital para encontrá-lo, o saudaram e aclamaram com grande alegria e entusiasmo. À moda antiga, em aclamações de reis, estenderam seus mantos e ramos de árvores pelo caminho à sua frente (Lv 23;40; II Re 9.13). Na medida em que avançava a alegre procissão, o povo gritava: “Hosana, Filho de Davi! Bendito é o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto céu!” (Mt 21.8-9; Lc 19.36-38). O termo “Hosana”, que significa “Salva-nos, por favor!”, e a frase “Bendito o que vem em nome do Senhor” são do Salmo 118.25-26, um salmo messiânico, parte do Hallel (Louvor) que o povo cantava na Páscoa e na Festa dos Tabernáculos.

O lamento sobre Jerusalém.

Entretanto, a despeito da alegre celebração das multidões e do próprio contentamento por estar cumprindo a profecia e fazendo a vontade do Pai, Jesus escondia uma profunda tristeza. Sabia que aquela multidão o aclamava por motivos equivocados. Não tinha entendido a mensagem do jumentinho… Nem os discípulos entenderam. João escreveu: “A princípio seus discípulos não entenderam isso. Só depois que Jesus foi glorificado [na ressurreição], eles se lembraram de que essas coisas estavam escritas a respeito dele e lhe foram feitas” (Jo 12.16). Sem dúvida os discípulos alegraram-se com aquela extraordinária demonstração pública de que Jesus era o Messias, o Rei dos judeus, mas, como os demais, pensavam ainda num Messias militar (Atos 1.6). Isto não significa que estes e tantos outros não criam em Jesus como Filho de Deus e Bom Pastor, aquele que os abençoava espiritualmente. Embora equivocados quanto a natureza da missão de Jesus, eles o amavam. A multidão é que não tinha a mesma relação com Jesus. Mais uns dias e eles trocariam o “Hosana” por “Crucifica-o!”

Por fim, surge à frente, a velha Jerusalém! Lembranças do ocorrido ali em visitas anteriores, assim como a certeza do que estava para acontecer levaram Jesus às lágrimas, mesmo diante daquela multidão eufórica. “Quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. ‘Como eu gostaria que hoje você compreendesse o caminho para a paz!’, disse ele. ‘Agora, porém, isso está oculto a seus olhos […]’”. Foi um lamento pela rejeição da velha cidade à sua Pessoa, aos seus ensinos, à sua paz. Ele sabia que a rejeição se agravaria em extremo no transcorrer daquela semana e, em consequência, a velha e amada Jerusalém sofreria um tremendo castigo. Chorando ainda, profetizou o cerco e a queda de Jerusalém num futuro próximo… (Lc 19.41-44). Aconteceria alguns anos mais tarde, em 70 d.C. Terrível! Terrível rejeitar Jesus, seus ensinos, sua salvação, sua paz! 

Algo semelhante ainda ocorre nas igrejas e nas cidades. Há os que gritam “Aleluia!” ou mesmo o antigo “Hosana!”, mas com expectativas equivocadas acerca de Jesus e suas bênçãos. Se não as recebem, decepcionam-se. Jesus ouve o seu louvor, vê suas festas, e se entristece. E há cidades inteiras que rejeitam o Salvador e Senhor Jesus Cristo; não dão a mínima para sua oferta de salvação e paz. Jesus vê, e chora! Talvez devêssemos entender alguns dos problemas e desastres que ocorrem em muitas igrejas e cidades como castigo por sua desobediência à Palavra de Deus e aberta rejeição ao Evangelho. 

Eber Lenz César 

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