(Salmo 51)
Os salmistas, Davi mais que qualquer outro, tiveram lá os seus dias difíceis. Seus pensamentos, orações e atitudes naquelas circunstâncias são fontes preciosas de orientação, encorajamento e conforto para nós, que também temos dias difíceis. Nesta mensagem, vamos examinar o Salmo 51, certamente o mais apropriado para um o dia de pecado.
Por mais santos que sejamos, todos, infelizmente, temos fraquezas, inclinações pecaminosas, conflitos espirituais. É a chamada “batalha espiritual”. O apóstolo Paulo, a despeito de seu zelo pela Lei de Deus e, então, notável conversão, admitiu: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o realizá-lo. Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço […]” (Rm 7. 18-19). O fato é que algo dentro de nós nos diz: “Não faça isso…. Está errado!” Mas não conseguimos evitar. As circunstâncias muitas vezes são favoráveis, e, se não estamos bem espiritualmente, pecamos. Depois nos sentimos culpados, envergonhados, derrotados, tristes.
O rei Davi, um “homem segundo o coração de Deus” (At 13.22), não escapou desse conflito e de alguns fracassos. O mais grave foi num dia em que, resolveu não comandar seu exército numa batata e ficou em casa, ocioso. As circunstâncias ou mesmo o Diabo lhe armaram uma tentação. E ele, fraco naquele momento, cedeu e acabou cometendo adultério com Bate-Seba, a mulher de Urias, um soldado do seu exército. Um pecado, muitas vezes, chama outro. E assim foi. Bate-Seba engravidou e Davi viu-se em apuros. Buscando soluções, providenciou para que Urias fosse morto no campo de batalha e casou-se com Bate-Seba (II Sm 11). Ma sofreu com o sentimento de culpa e perda da comunhão com Deus. Posteriormente, repreendido pelo profeta Natã, Davi confessou seu pecado e foi restaurado (II Sm 12). Ele escreveu pelo menos dois salmos sobre essa triste experiência, os Salmos 32 e 51. No Salmo 32, ele compartilhou esta oração:
“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade não mais ocultei… E tu perdoaste a iniquidade do meu pecado” (v. 3-5).
O Salmo 51 é ainda mais completo e dramático. Aprendemos no mesmo o que podemos e devemos fazer no dia de pecado.
Confissão (vs. 1-6).
Como é difícil dizer: “Eu errei! Perdoa-me?”. Os cônjuges, às vezes, acham mais fácil separar-se do que dizer isso um ao outro. Os filhos preferem ficar brigados com os pais a pedir-lhes perdão. E, por incrível que pareça, há cristãos que acham extremamente difícil dizer a Deus, nosso Pai celestial: “Pai, eu pequei. Perdoa-me.”
Davi também achou difícil confessar. Por meses, ele tentou esconder seu pecado. Por fim, resolveu: ”Confessarei ao Senhor as minhas transgressões […]” (Sl 32.3,5). No Salmo 51, note o seguinte:
Purificação (vs. 7-12).
O próximo passo de Davi foi pedir a Deus: “Purifica-me […] e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve. Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável […]. Restitui-me a alegria da tua salvação” (vs 7,10,12). Primeiro a confissão, depois a purificação. A confissão é feita pelo homem, a purificação é feita por Deus. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1.9). Os termos “perdoar” e “purificar” são usados com o mesmo sentido em muitas passagens. Aqui entretanto, parecem indicar que Deus não somente perdoa os pecados cometidos (passado), mas também purifica o pecador, limpa o seu coração, renova o seu espírito (no presente e para o futuro).
Comissão (vs. 13-15).
Feita a confissão, recebidos o perdão e a purificação, cabe-nos testemunhar, ensinar aos outros, ajudá-los no dia do seu pecado. Até porque, Deus mesmo disse a Davi, quando o perdoou: “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho” (Sl 32.8).
Perdoado, purificado e ensinado por Deus, Davi resolveu tirar proveito de sua triste e sofrida experiência em benefício dos outros: “Ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti […]” (v.13. Ver Sl 40.1-3,9-10; Is 6.5-8; Gl 6.1).
Os pecadores de modo geral precisam saber que podem confessar seus pecados a Deus, por mais graves que tenham sido, sabendo, com certeza, que receberão perdão e serão purificados. Igualmente os crentes que pecaram e perderam a alegria da salvação. Uns e outros, assim abençoados, precisam “ensinar aos transgressores” esse maravilhoso caminho de volta.
Agora você sabe o que fazer no dia de pecado; é preciso confessar o pecado, pedir a purificação e, então, consagrar-se à missão de ajudar os outros quando pecarem (ajudar, não condenar).
Pr. Éber Lenz César
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