Vamos concluir esta série de mensagens. Vimos que, em sua carta aos Filipenses, capítulos 1, 2 e 3, o apóstolo Paulo refere circunstâncias, pessoas e coisas que costumam roubar-nos a alegria que temos em Cristo. Ele também nos ensina a prender estes “ladrões de alegria” exercitando atitudes que chamamos de
No capítulo 4, o apóstolo menciona mais um ladrão de alegria, a preocupação excessiva ou ansiedade, e nos ensina a combatê-la exercitando o que chamamos de mente segura.
O apóstolo tinha boas razões para se preocupar. Nos primeiros versículos, ele pede a duas mulheres da igreja de Filipos que procurem se entender, que parem de brigar (4. 2-3). Não sabemos por que estavam se desentendendo, mas elas estavam causando divisão na igreja, e isso desgostava o apóstolo, que amava aquela igreja e orava por ela. Mais que por qualquer outro motivo, Paulo poderia estar preocupado ou mesmo ansioso com a própria situação, pois estava preso em Roma, sempre algemado a um soldado romano, sem saber se viveria ou se seria condenado e morto nos próximos dias (1.13). Apesar de tudo, porém, ele não desanimava, não se deixava dominar pelas preocupações, não permitia que estas lhe roubassem a alegria no Senhor. Qual era o seu segredo? Primeiramente…
A palavra grega traduzida por “ansiosos”, em 4.6 – “Não andeis ansiosos de cousa alguma […]” – significa “ser puxado em diferentes direções”. Nossas esperanças nos puxam numa direção; nossos temores nos puxam para a direção oposta. Resultado: ficamos “rasgados”. De fato, a “ansiedade”, que é preocupação excessiva, violenta tanto a mente como o corpo. Resulta em inquietação, dores de cabeça, dores musculares, úlceras, etc. Do ponto de vista espiritual, a ansiedade é um pensamento errado (mente) e um sentimento errado (coração) acerca das circunstâncias, das pessoas e das coisas. É um perverso ladrão de alegria. Todavia, não basta dizer a si mesmo: “Não vou me preocupar!” É preciso mais que boas intenções e pensamento positivo para pegar esse ladrão. O antídoto para a ansiedade é a mente segura. Em que consiste?.
“Não andem ansiosos por coisa alguma; mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus” (4.6-7).
Numa primeira leitura, parece-nos que Paulo é redundante, repete a mesma idéia quando fala de oração, súplicas e ação de graças. Mas ele está nos advertindo contra o costume de correr para Deus em oração quando estamos preocupados e somente pedir que ele resolva nosso problema ou supra nossa necessidade. Paulo fala, sim, de pedidos, mas em três etapas: oração, súplica e ação de graças.
Resultado: “A paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus”. Paulo, que estava preso, guardado por soldados romanos, vê a paz de Deus como algo que guarda ou mantém tranquilos e confiantes tanto o coração (onde podem ocorrer sentimentos errados) como a mente (onde podem ocorrer pensamentos errados). Exemplo: Daniel 6.10-11.
“Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (4.8).
Paulo já disse que orar corretamente resguarda nosso coração e nossa mente. Agora, enfatiza que podemos, sim, controlar nossos pensamentos; podemos deliberadamente pensar em algumas coisas, e não em outras. Para exemplo, ele dá aqui uma lista de coisas boas em que pensar. Compare com Sl 19.7-9.
Isto é muito importante, porque os pensamentos têm um poder enorme sobre o estado de espírito (alegria ou tristeza; ânimo ou desânimo etc.); e também sobre nossas ações. Temos que levar “cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (II Co 10.5).
Alguém escreveu:
“Semeia um pensamento, colherás uma ação.
Semeia uma ação, colherás um hábito.
Semeia uma hábito, colherás um caráter.
Semeia um caráter, colherás um destino.”
“Ponham em prática tudo o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês” (4.9)
A mente segura, que ora e pensa corretamente, também e consequentemente ajuda-nos a viver melhor, de modo correto. E que alegria isto nos proporciona! Escolhas equivocadas, vida atrapalhada, contrária à fé e aos ensinos da Palavra, roubam a nossa paz e a nossa alegria.
“…o que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim. E o Deus da paz estará com vocês”
Paulo põe em equilíbrio quadro atividades:
Uma coisa é aprender a verdade; outra é receber a verdade e torná-la parte do caráter. (I Ts 2.13). Também não basta ouvir; é preciso ver e copiar. Paulo não somente ensinava a Palavra, mas ele vivia o que pregava; seus ouvintes podiam ver e imitar. Fp 3.17; I Ts 1.5-6; I Co 11.1.
Nesse contexto em que fala de oração correta, pensamentos corretos e vida correta como meios de combater a ansiedade que frequentemente rouba a nossa alegria, Paulo nos exorta, ainda, a exercitarmos o contentamento. Ele agradece as ofertas dos Filipenses, mas fala do seu contentamento:
“[…] Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece” (412-13).
Preciosa lição! Querer sempre mais gera ansiedade, orações erradas, pensamentos e sentimentos errados, vida errada. E lá se vai a alegria!
Então, como vencer a preocupação e não permitir que ela nos roube a alegria? Com oração correta, pensamentos corretos, vida correta e contentamento! Se praticarmos esses conselhos de Paulo, a paz de Deus guardará nosso coração (4.7); o poder de Deus nos dará vitória nas adversidades (4.13) e a provisão de Deus não permitirá que nada nos falte (4.18-19). Isso é fácil de memorizar: paz, poder, provisão.
Eber Lenz César ([email protected])
(Estes estudos aproveitam algumas ideias de um precioso livro de Warrem Wiersbe, intitulado Seja Alegre, Editora Núcleo, Portugal).
[wpforms id=”17591″]
Este conteúdo foi útil para você? Deixe sua avaliação.
0
Sua avaliação é muito importante!