Na introdução a esta série de estudos, falamos dos “ladrões” da alegria:
Como podemos impedir que estes ladrões continuem a nos roubar a alegria que temos em Cristo? Desenvolvendo atitudes mentais corretas, como as que Paulo ensina e exemplifica em cada capítulo de sua carta aos Filipenses:
Já estudamos a mente cristocêntrica e a mente submissa. Neste estudo, vamos considerar as características da mente espiritual, com a qual podemos lidar corretamente com as coisas, não permitindo que nos roubem a alegria. Paulo fala disso no capítulo 3 de sua carta aos Filipenses.
Neste capítulo, o apóstolo usa 11 vezes a palavra coisas. Salienta que muitas pessoas “só pensam nas coisas terrenas” (v.19). Mas o cristão tem uma mente espiritual, o que significa que ele se interessa, acima de tudo, pelas coisas espirituais ou celestiais; ele vê as coisas deste mundo de um ponto de vista espiritual, e afirma, com o apóstolo:
“A nossa cidadania está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (v. 20).
Isto faz uma grande diferença! A ânsia por coisas terrenas rouba a alegria das pessoas, inclusive de muitos cristãos. Queremos ter coisas e descobrimos que, muitas vezes, são elas que tomam conta da gente. O único modo de ter alegria apesar das coisas, e cultivar uma mente espiritual, ou seja, procurar ver as coisas de um ponto de vista espiritual, ou do ponto de vista de Deus. É isto que o apóstolo Paulo nos ensina em Fp 3.
Tomando por base sua própria experiência, ele nos ensina a:
Os verbos chave que Paulo usa nestas três partes do cap. 3 são:
1. Considerar, dar maior atenção às coisas que têm real valor.
É muito fácil nos deixarmos enredar por “coisas”, não só as tangíveis (bens materiais), como as intangíveis (reputação, fama, empreendimentos, etc.).
As coisas não são más em si mesmas; são bênçãos de Deus. Precisamos delas (Ver Mt 6.31-34; I Tm 6.17). Mas Jesus ensinou que a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui (Lc 12.35). Muitos dos que possuem coisas em abundância, tudo ou quase tudo que o dinheiro pode comprar, acabam perdendo as que o dinheiro não pode comprar, principalmente a alegria.
Geralmente, não paramos para considerar o real valor das coisas, e como estas afetam ou mesmo determinam nossas decisões e a direção que damos a nossa vida. Muitos são escravos das coisas e são consumistas! Querem sempre mais! Nunca estão satisfeitos, nunca têm o bastante. Lamentam e ficam insatisfeitos ou mesmo tristes porque não têm isto ou aqui… Quando perdem alguma coisa, perdem também a alegria. Coisas roubam a alegria!
O mesmo se pode dizer das coisas intangíveis: status, fama, reconhecimento. Até mesmo a religiosidade, a justiça própria. Paulo era muito religioso (da seita dos fariseus.) e cheio de justiça própria. Isto o cegava espiritualmente a ponto de rejeitar a Cristo e perseguir os cristãos. Quando se converteu (por um milagre), considerou tudo como perda. Preservou seus valores morais e religiosidade, naturalmente, mas passou a confiar em Cristo (3.8, final até v. 10).
2. Não olhar para trás, mas prosseguir para o alvo à frente. 3.12-16.
Paulo nunca se permitia ficar satisfeito com as vitórias já alcançadas. Quanto a isto, queria sempre mais; sabia que ainda não era perfeito; mas tinha o exemplo de Cristo como padrão e modelo; e prosseguia para este alvo! Alguns cristãos ficam satisfeitos consigo mesmos porque se comparam com outros cristãos, e não com Cristo.
Paulo dizia: “Uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás ficam e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo…” (3.13-14a).
É interessante que numa carta cheia de alegria, vemos o autor, o apostolo Paulo chorando (v.18). Por que ele chora?
Ele não chora por si mesmo, mas pelos outros. Por razão de sua mente espiritual, ele lamenta profundamente a maneira como alguns cristãos estão vivendo, pessoas que “só pensam nas coisas terrenas” (3. 18-19).
3. Compreender que estamos de passagem neste mundo e que a nossa verdadeira riqueza está no futuro e no céu. 3.20-21.
Jesus já havia dito aos seus discípulos que deviam ajuntar tesouros nos céus, e não na terra” (Mt 6.19-21).
E Paulo, nesta parte final desse terceiro capitulo de sua carta aos Filipenses, em contrapartida aos que “só pensam nas coisas terrenas”, acrescenta: “[…] a nossa cidadania está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus.” (3.20). Uma vez salvos por Cristo, não somos mais daqui deste mundo; somos do céu! Enquanto aqui estamos, adquirimos e usamos coisas por contingência. Elas não são o nosso alvo ou objetivo, nossa razão de viver. São apenas necessárias. Foi exatamente isto que o mesmo Paulo escreveu aos Colossenses: “[…] procurem as coisas (pensem nas coisas, RA) que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas… eu aos Colossenses: Quando Cristo […] for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em gloria” (Cl 3.1-4).
Jesus disse mesmo aos seus discípulos: “Vocês não são do mundo […]” (Jo 15.19). O apóstolo Pedro referiu-se aos cristãos de toda parte como “peregrinos dispersos” (I Pe 1.1).
Os cristãos têm uma dupla cidadania: são cidadãos do Céu e cidadãos da terra. O grande evangelista Moody costumava repreender os cristãos que tinham “uma mentalidade tão espiritual, que não tinham qualquer utilidade na terra” .
Sabendo que estamos aqui de passagem, usaremos as coisas, na medida da necessidade; mas não viveremos para as coisas; viveremos para Cristo, aguardando sua volta. Fp 3.20.
4. O que significa ser espiritual?
Mente espiritual… Muitos entendem mal o que seja ser de fato espiritual. Não significa ser místico, piegas, alienado. Alguns hipocritamente tentam mostrar espiritualidade com orações elaboradas, mudando a voz para um tom que julgam ser piedoso, meloso, retórico ou sepulcral… Mente espiritual, no contexto deste capítulo da carta de Paulo aos Filipenses, é ver as coisas da perspectiva do Céu, de Deus; implica dar maior valor às coisas que realmente têm valor eterno. Veja outra vez Cl 3.2.
Sugestão de perguntas para discussão em Grupo
a) Fp 3.7-10 (b) Fp 3.12-14 (c) Fp 3.20-21
Éber Lenz César ([email protected])
(As ideias básicas deste estudo foram extraídas do livro “Seja Alegre”, de Warrem Wiersbe, Ed. Núcleo, Portugal).
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