Tenha em mente o que já dissemos sobre a Doutrina da Mordomia:
É nesse contexto mais amplo que devemos entender o que a Bíblia diz sobre dízimos e ofertas. Mas muita gente não quer nem ouvir falar de dízimo. Acha um absurdo “ter que dar” 10% do seu salário ou rendimentos à uma igreja. Alguns admitem que a Bíblia ordena a entrega dos dízimos, mas não são dizimistas, por várias razões: “Não ganho o suficiente para isto”, “Não concordo com a administração da igreja”, “Não vou dar dinheiro para o pastor enriquecer” etc.
Fica mais fácil e alegre dizimar quando, cônscios da nossa mordomia, entendemos que dízimos e/ou ofertas são, acima de tudo, expressões de nossa gratidão a Deus por tudo que ele nos dá ou faz por nós: saúde, inteligência, oportunidades, sustento, proteção e as chamadas bênçãos espirituais. O dízimo e as ofertas são também um exercício da fé é da generosidade. Demonstra que não somos apegados ao dinheiro e estamos dispostos a investir em causas superiores, as que uma boa igreja administra. Reconhecemos que, sozinhos, com pouco dinheiro, não podemos fazer muito; juntos, os membros e congregados de uma igreja podem ampliar seus serviços na comunidade e no mundo e cumprir sua missão.
1. As primeiras referências ao dízimo.
O dízimo que Abraão entregou a “Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo e rei de Salem” é a primeira referência ao dízimo na Bíblia (Gn 14.18-24). A ausência de explicações parece indicar que esse era um costume já estabelecido. Esse primeiro exemplo é particularmente importante porque antecede à dádiva da Lei ou, mais especificamente, ao mandamento do dízimo. Note também que o dízimo de Abraão não foi exigido por Melquisedeque. O patriarca o deu espontaneamente, atribuindo a Deus o sucesso num grande e corajoso empreendimento: o resgate de Ló (vs.19-20). Ele estava reconhecido e agradecido! Já naqueles tempos, ele mencionou o princípio básico da doutrina da mordomia: “O Deus altíssimo, o que possui os céus e a terra” (V. 22, na Versão Revista e Atualizada) ou “Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra” (NVT).
O dízimo de Jacó teve as mesmas características (Gn 28.18-22). Esse neto de Abraão resolveu dar o dízimo de tudo após uma profunda experiência com Deus (vs. 10-17). É sempre assim. O dízimo só foi incorporado à Lei na época de Moisés, séculos mais tarde (Lv 27.30-33). A experiência pessoal de alguns virou lei, uma ordenança para a nação de Israel, em formação. A expressão “todas as dízimas da terra […] são do Senhor, santas são ao Senhor” (ARA) ou “a décima parte […] pertence ao Senhor e deve ser consagrada a ele” (NVT) não anula a verdade já exposta de que “tudo é do Senhor”.
Mais à frente, direi algo sobre a aplicação ou destinação dos dízimos e das ofertas no Novo Testamento, mas antecipo o que se vê repetidas vezes no Velho Testamento: eram usados para:
2. Dízimos e ofertas na história de Israel.
O cuidado com a casa do Senhor, as celebrações religiosas e a entrega regular dos dízimos tornaram-se uma espécie de termômetro para medir a espiritualidade do povo de Deus no Velho Testamento. Quando se distanciavam de Deus e se tornavam idólatras, não cuidavam do templo, não celebravam as festas religiosas, não entregavam os dízimos e não davam mais ofertas de gratidão; quando se arrependiam e se voltavam para o Senhor, recomeçavam a adoração, as celebrações e a entrega de dízimos e ofertas.
As grandes reformas religiosas empreendidas por Ezequias e Neemias incluíram o retorno à prática do dízimo.
No tempo do profeta Malaquias, Deus disse a Israel: “Vocês se desviaram dos meus decretos e não lhes obedeceram […]. Vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos?’ Nos dízimos e nas ofertas […]. Tragam o dízimo todo ao depósito do templo […]. Ponham-me à prova […] e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que não terão onde guardá-las[…]” (Ml 3.7-10).
Não se dá o dízimo para garantir prosperidade material! Não se faz troca ou negócio com Deus! Mas é certo que nesta e noutras passagens Deus nos incentiva com a promessa de suprir abundantemente nossas necessidades. Damos proporcionalmente àquilo que Deus nos dá, na certeza de que não nos fará falta. Deus proverá!
Pr. Éber Lenz César ([email protected])
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