Ronald Sider escreveu um livro com um título intrigante: “O escândalo do comportamento evangélico”. Sob o título, a pergunta: “Por que os cristãos estão vivendo exatamente como o resto do mundo?”
O autor, que esteve no Rio de Janeiro em 2009, como preletor de um congresso da Rede Evangélica Nacional de Ação Social (RENAS), menciona o resultado de várias pesquisas feitas nos Estados Unidos, as quais justificam o título e o subtítulo do seu livro.
O Instituto Gallup e o Barna Group, por exemplo,
Estas são pesquisas e estatísticas americanas. Não fazemos tantas pesquisas no Brasil. Mas vale perguntar: Como procedem os “evangélicos” brasileiros nestas mesmas áreas: moda, diversão, sexo, namoro, casamento, divórcio, família, televisão, internet, vícios, dinheiro, consumismo, justiça social? E se deixarmos de lado o rótulo “evangélico” e fizermos a pesquisa entre os que se dizem “cristãos”, que é a terminologia bíblica? Este é um país supostamente cristão, certo?
Que diz a Bíblia?
Numa época de crise espiritual em Israel, o profeta Malaquias, no penúltimo capítulo do Velho Testamento, profetizou: “Vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o faz” (Ml 3.18). Referia-se à época do Messias? Aos tempos do Novo Testamento? Aos frutos do ministério de Jesus?
Jesus e os apóstolos usaram várias expressões e figuras para ressaltar “a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não o faz”, uma diferença radical:
Além destes termos e figuras, Jesus e os apóstolos ensinaram como devem viver os cristãos, isto é, os que se arrependeram dos seus pecados, creram em Jesus Cristo e o receberam no coração e na mente como seu Salvador e Senhor.
Jesus veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10). Ele prontamente perdoou a “mulher adúltera” que os fariseus legalistas arrastaram à sua presença, mas disse-lhe: “Vai e não peques mais” (Jo 8.11). Ele condenou o divórcio “por qualquer motivo” (Mt 19.6-9), a ganância e o apego ao dinheiro (Mt 6.19-21). Disse aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra […]. Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13,14). Implicitamente, o mundo é insípido e está nas trevas! Disse também: “[…] não sois do mundo […] dele vos escolhi” (Jo 15.19).
“Mundo” é o sistema, os valores, a maneira de pensar e agir dos que não crêem em Deus e em Jesus Cristo ou não lhe dão a devida atenção e obediência.
O apóstolo Paulo ensinou como ninguém mais que o pecador é justificado e salvo pela fé, não pelas obras (Rm 3.28; 5.1). O que implica, diga-se de passagem, que justificação e salvação são dádivas graciosas, e que não há porque nos orgulharmos ou pensarmos que somos melhores do que qualquer outro pecador (Ef 2.8-9). Todavia, esse mesmo apóstolo enfatizou que a fé genuína resulta em transformação de vida e boas obras (amor, compreensão, perdão, serviço, caridade…).
O apóstolo escreveu: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).
O termo grego traduzido por “conformar” refere-se à forma exterior, à maneira de ser dos que não têm Deus, de fato. O apóstolo está dizendo: “Não entre na forma deste mundo!” Já o termo grego traduzido por “transformar” está na raiz da palavra metamorfose, transformação pessoal, de dentro para fora; mudança de pensamento, de filosofia de vida.
Por fim, leia Ef 4.17 – 5.12 assinalando palavras ou expressões que recomendam comportamento diferente do comum das pessoas, comportamento cristão. Exemplo:
Os iguais não entrarão no Reino dos Céus!
Neste contexto, nos vs. 5-7, o apóstolo faz uma declaração muito séria: “Sabei, pois, isto: nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento […] tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque, por essas coisas, vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais participantes com eles”.
Somos “justificados” e salvos pela fé, sim, mas o arrependimento sincero e a fé genuína resultam, forçosamente, em abandono do pecado, mudança de vida, boas obras (Ef 2.8-10, reparando bem no v.10). Porque a natureza humana é tão inclinada ao pecado e as tentações são tantas, essa mudança não acontecerá toda de uma vez; será progressiva. Na Bíblia, esse processo tem vários nomes: aperfeiçoamento, amadurecimento, crescimento, santificação (Ef 4.11-15; I Ts 4.3). Se não houver mudança alguma, ainda que progressiva; se nada for diferente; se o dito “cristão” continuar deliberadamente no pecado, é se se supor que o arrependimento não ocorreu, de fato; e que a fé não passou de uma emoção momentânea ou uma concordância intelectual. Não houve o que Jesus chamou de “novo nascimento”e “regeneração”. Por isso o apóstolo afirmou: “[…] nenhum incontinente, ou impuro, ou avarento… tem herança no reino de Cristo e de Deus”.
A raciocínio lógico é que os que recebem a Jesus Cristo como seu Salvador, precisam recebê-lo também como seu Senhor, ou seja, submeter-se à sua vontade e à sua direção! Uma coisa depende da outra! As duas são imprescindíveis. As duas fazem a DIFERENÇA!
Que Deus nos ajude e abençoe!
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Pr. Éber Lenz César ([email protected])Este conteúdo foi útil para você? Deixe sua avaliação.
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