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O Senhor é o meu Pastor

As ovelhas são animais muito dependentes, que necessitam de um pastor e de cuidados especiais. Sabendo disso, os bons pastores cuidam com bem e até com carinho de  suas ovelhas. No tempo do Velho Testamento, Israel era um povo nômade e pastoril. Razão porque  o autores bíblicos usam a figura do pastor e suas ovelhas para ilustrar a relação de Deus com Israel. No Novo Testamento, Jesus é o Bom Pastor; a igreja é seu rebanho.  

O Salmo 23

Falando disso, não há como não lembrar e amar o Salmo 23.  Davi o escreveu quando ainda era um jovem pastor de ovelhas. No  campo, recostado a uma árvore, cuidando  do rebanho de seu pai, ele  refletiu sobre as próprias necessidades e a maneira graciosa como Deus cuidava dele.  

É de se notar que cada palavra ou frase deste Salmo é importante e carrega profundo significado.  Judeus e cristãos de todos os tempos o  recitam com frequência, sobretudo em tempos de necessidade, aflição e perigo. Muitas crianças o sabem de cor; quando não totalmente, pelo menos a frase  inicial: “O Senhor é o meu Pastor […]”.  Moribundos de todas as idades têm morrido com estas doces e confortantes palavras em seus lábios. 

“O SENHOR […]”

SENHOR, com todas as letras maiúsculas, é tradução do nome de Deus por excelência: Javé ou Jeová. Significa “Eu sou o que sou”, ou seja,  Auto-suficiente, Todo-Poderoso, o Criador (Êx 3.14). Jesus, o Filho de Deus, nosso Salvador e Pastor, declarou repetidas vezes: “Eu sou […]” (Jo 6.35; Jo 8.12; 10.9; 11.25; 14.6; 15.5). Desse modo ele se identificou como Deus, o Todo-Poderoso.

 

“O SENHOR é o meu Pastor […]”

Mas uma coisa é admitir que Deus é “O SENHOR”; outra é acreditar que ele é também Pastor, MEU PASTOR.  

Então, entendemos que Davi estava dizendo algo assim: “Eu sei que Deus é SENHOR, mas sei também que ele é Pastor, o meu Pastor! Ele se importa comigo. Ele cuida de mim!”

Assim também, anos mais tarde, os adoradores de Israel adotaram o costume de entrar no templo, em Jerusalém, cantando: “Celebrai com júbilo ao SENHOR […]. Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele quem nos fez, e dele somos; somos o seu povo e rebanho do seu pastoreio […]” (Sl 100) 

Mas voltemos no tempo e à sombra daquela árvore   onde Davi está comprando este lindo Salmo… Pensando ainda em suas próprias experiências com ovelhas, ele passa a descrever os cuidados de Deus, o Divino Pastor, com suas ovelhas… e com ele próprio. 

 

“Nada me faltará!”

“O SENHOR é o meu Pastor, nada me faltará. Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma […]”. 

Geralmente as ovelhas são criadas em regiões desérticas, inóspitas, onde os pastos e fontes de água têm que ser procurados (Êx 2.16; 3.1). As ovelhas não têm boa orientação; deixadas por sua conta, elas não encontram nem pasto nem água. E se não estiverem alimentadas e dessedentadas, não conseguem descansar. Os bons pastores, os que cuidam bem de suas ovelhas, levam-nas para onde há pastos verdejantes e águas tranquilas; ali elas conseguem descansar.  

Está vendo? A figura é perfeita. Como as ovelhas, nós não sabemos onde encontrar “pastos verdejantes”, alimento espiritual, sentido e propósito para a vida. Se tentamos por nós mesmos, comemos grama ruim, ervas daninhas; bebemos água contaminada; ou ficamos com fome e sede… A alternativa é confiar em Deus, nosso Pastor!  Deixar que ele nos guie e supra nossas necessidades. De um modo ou de outro, ele nos levará aos pastos verdejantes, às águas de descanso. 

 

Entenda bem…

Essa declaração de fé, “nada nos faltará”. não significa que teremos tudo o que quisermos nesta vida, com ou sem trabalho. Significa que:

    • Deus abençoará nosso trabalho honesto e, desse modo, suprirá nossas necessidades básicas . Veja (Mt 6. 25-34; Ef 1.3. Se não conseguimos trabalho ou se não pudermos trabalhar, ele tem seus meios… 
    • Deus muitas vezes nos dá até mais do que realmente necessitamos para viver: lazer, viagens, equipamentos tecnológicos, etc. Veja I Tm 6.17b.  Deus até enriquece a alguns a fim de que sejam generosos e repartam com os necessitados ( II Co 9.11).
    • Se Deus não nos der alguma coisa que desejamos e lhe pedimos em oração, certamente tal coisa não é realmente necessária, pelo menos não no momento. Pode ser também que Deus esteja nos provando, exercitando nossa fé ou nos ensinando a viver com mais simplicidade e contentamento (Fp 4.11-13). 

 

“Guia-me pelas veredas da justiça!”

Tem mais no Salmo 23. As ovelhas, como já foi dito, quando entregues a si mesmas, seguem sempre pelos mesmos caminhos, pastam nos mesmos pastos, ainda que ruins. Os pastores têm de guiá-las por caminhos melhores e para os pastos verdejantes, alternando sempre, a bem dos pastos, das ovelhas e do próprio nome, ou seja, sua reputação de bom pastor. Davi tinha isso em mente quando acrescentou: “Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome […]. “

O que são as veredas da justiça? Ssão os caminhos de Deus, de Cristo, do bem. Esses caminhos levam a pastos diferentes, mas sempre novos, verdejantes. Veja Sl 32.8). 

 

“Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo. A tua vara e o teu cajado me consolam!”

A Palestina é acidentada, montanhosa. Os pastores conduziam seus rebanhos por vales e montanhas. Ao entardecer, voltando, passavam por vales sombrios. Entre as rochas escondiam-se ladrões e animais ferozes. Eram, de fato, “vales de sombra e de morte”. Entretanto, os bons pastores defendiam suas ovelhas com sua vara e com seu cajado. Davi, certa vez, arriscou a vida para salvar suas ovelhas das fauces de um leão e de um urso (I Sm 17.34-36). 

 

Jesus, o Bom Pastor

Jesus disse: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário, que não é pastor, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge […]” (Jo 10.11,12,14).   Sua presença, por meio do Espírito Santo, seus ensinos, seus cuidados  são nossa direção, nosso alimento, nossa água, nosso descanso. 

De fato, ele disse: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6.35). Disse também: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). 

Então, como ovelhas de Jesus, o Bom Pastor,  podemos dizer-lhe, em oração: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (v.4).

 

Conclusão.

Muitos “rezam” o Salmo 23, mas não confiam de fato no SENHOR, seu e nosso BOM PASTOR, seja o Deus Pai, ou o Deus Filo, Jesus. Podemos e devemos fazer essa oração, ou alguma outra semelhante,  mas confiando e descansando!

Pr. Éber Lenz César

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