As sete palavras de Cristo na cruz não foram registradas, todas elas, pelos quatro evangelistas. Mateus e Marcos registraram apenas uma e a mesma palavra, a quarta: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Lucas anotou a primeira, a segunda e a sétima, respectivamente: “Pai, perdoa-lhes, porque n_o sabem o que fazem”, “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”, e “Pai, nas Tuas m_os entrego o meu espírito”. João registrou a terceira, a quinta e a sexta palavras: “Mulher, eis aí o teu filho […]”, “Tenho sede”, e “Está consumado”.
Jesus disse as três primeiras palavras durante as três primeiras horas de sua crucificação, ou seja, entre nove e doze horas; as outras quatro frases, ele as pronunciou numa rápida sucessão nos momentos finais de sua agonia.
1. Jesus cumpre a Escritura.
Em Jo 19.28 lemos o seguinte: “Depois, vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse: Tenho sede!” “Depois” de que? O contexto imediato faz-nos pensar que Jesus proferiu essa palavra logo depois de ter dito à sua mãe: “Eis aí o teu filho […]” (Jo 19.26-27). Entretanto, como vimos, Mateus e Marcos contam que “desde a hora sexta até à hora nona houve trevas sobre toda a terra”, e “por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste” (Mt 27.45-46). Foi, portanto, “depois” dessas horas de trevas e desse clamor angustiante que Jesus disse: “Tenho sede!” Teve sede de Deus e, depois, sede de água. Sofreu no espírito e no corpo.
“Vendo Jesus que tudo já estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse […]” Em meio a tanto sofrimento, e pouco antes de morrer, o Salvador quis ainda “cumprir a Escritura”. Séculos antes, Davi tinha profetizado o sofrimento do Messias, incluindo estes seus lamentos: “Secou-se o meu vigor, como um caco de barro, e a língua se me apega ao céu da boca […]”, e “[…] na minha sede me deram a beber vinagre” (Sl 22.15; 69.21). Jesus, para cumprir esta Escritura, um detalhe profético, disse: “Tenho sede!” Os soldados romanos “embeberam de vinagre uma esponja e, fixando-a num caniço de hissopo, lha chegaram à boca” (Jo 19.29). Jesus cumpriu a Escritura consciente e deliberadamente; os soldados o fizeram inconscientemente, involuntariamente.
No Velho Testamento, há muitas e detalhadas profecias relativas ao nascimento, à vida e à morte de Jesus. Todas se cumpriram, literalmente. Veja, por exemplo: Mt 1.22-23; Lc 4.17-21; Mr 15.27-28; Jo 19.24. Pedro disse aos Israelitas reunidos no templo de Jerusalém: “Vós negastes o Santo e o Justo […]. Matastes o Autor da vida […]. Mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara por boca de todos os profetas [ …]” (At 3.14-18). Paulo, pregando em Antioquia, disse a mesma coisa: “[…] os que habitavam em Jerusalém, e as suas autoridades, não conhecendo a Jesus, nem os ensinos dos profetas […] quando o condenaram, cumpriram as profecias […]” (At 13.27-30). Temos aqui:
2. A humanidade de Jesus.
Contudo, Jesus não disse “Tenho sede!” somente para cumprir uma profecia. Ele teve sede de verdade, muita sede. Estava pendurado na cruz há horas, esvaindo-se em sangue, debaixo de sol quente (das nove até às doze horas, e agora outra vez, às quinze horas). Esta é a segunda vez, neste Evangelho, que Jesus externou essa necessidade física, muito humana (Jo 4.7). Outras passagens nos evangelhos e nas epístolas dizem que ele teve fome (Mt 4.2), ficou cansado (Jo 4.6), e “foi tentado em todas as cousas, à nossa semelhança” (Hb 4.15). É muito importante pensar em tudo isto, porque a plena humanidade de Jesus é uma doutrina bíblica, e tão importante como a de sua plena divindade.
A quinta palavra de Cristo na cruz, mais do que qualquer outra, revela sua humanidade, e lembra-nos:
Você já bebeu dessa “água”? Já se apropriou, pela fé, dos benefícios do sacrifício de Cristo na cruz?
Éber M.Lenz César
CONTATO
[wpforms id=”17591″]
Este conteúdo foi útil para você? Deixe sua avaliação.
0
Sua avaliação é muito importante!