Comove-nos observar que durante as três primeiras horas de seu sofrimento na cruz, Jesus não pensou em si mesmo, mas nos outros.
Foi somente nas horas derradeiras do seu martírio que o Salvador externou sentimentos, primeiro de abandono, depois de triunfo, disse que tinha sede e, por fim, entregou o espírito ao Pai.
Somos egoístas por natureza, muito mais quando sofremos. Então, costumamos não dar qualquer atenção aos outros; pelo contrário, esperamos que nos deem toda a sua atenção. Jesus não. Ele pensou nos outros, e primeiro nos outros, mesmo quando no mais terrível sofrimento.
“Mulher, eis aí o teu filho.”
“Vendo Jesus sua mãe, e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí o teu filho” (Jo 19.26). É curioso observar que a Bíblia não registra uma única ocasião em que Jesus tenha chamado Maria de “mãe” ou “mamãe”. Talvez o tenha feito quando criança e adolescente. Mas não o fez quando adulto, cumprindo sua missão de Mestre e Salvador. Então, ele sempre dirigiu-se a Maria chamando-a de “mulher” (Jo 2.4). A Bíblia não diz porque. Talvez quisesse que Maria e os outros discípulos o vissem como Filho de Deus e Salvador, e não como filho de Maria (Mt 12.46-50).
Contudo, Jesus não deixou de honrar a sua mãe. Amou-a de todo o seu coração e, mesmo na cruz, dispensou-lhe cuidados filiais.
João, o discípulo amado, o único presente na cena da crucificação, no Calvário, estava ao lado de Maria. Jesus disse, primeiro a Maria: “Eis aí o teu filho.” Depois ao discípulo: “Eis aí tua mãe.” Maria enviuvara cedo. Jesus, o filho primogênito (Lc 2.7), ainda adolescente, assumira responsabilidades maiores no lar, passando a administrar a carpintaria do pai, em Nazaré (Mc 6.3).
Agora, este mesmo filho, pouco antes de morrer na cruz, provê um novo lar e um novo filho para a mãe querida. Por que não um dos irmãos, filhos legítimos de Maria? Talvez porque “nem mesmo os seus irmãos criam nele” (Jo 7.3-5). E de qualquer modo, não estavam ali. Jesus quis confiar sua querida mãe ao “discípulo amado”.
A terceira palavra de Cristo na cruz ensina-nos:
E “[…] o discípulo a tomou para casa.”
João correspondeu à confiança de seu Mestre e Salvador. Naquela mesma hora, tomou a mãe de Jesus e a levou para casa. Ele foi o apóstolo que mais viveu. Deve ter cuidado de Maria até à morte dela.
Ainda hoje, o Senhor Jesus confia nobres tarefas aos seus discípulos. Diz-nos:
Como João, façamo-lo, prontamente.
Éber M. Lenz César
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